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Arte
Postal é uma tendência alternativa de arte, onde o objetivo
maior é a comunicação entre redes de artistas por
meio do intercâmbio de propostas criativas. Esta comunicação
se dá através do sistema postal convencional ou eletrônico.
Já
no início do século ocorriam fatos que influenciaram no
surgimento da arte postal. Movimentos como o Dadaísmo, Futurismo,
Bauhaus e o Surrealismo propunham a ruptura com a tradição
artística e já naquela época se utilizavam do meio
postal para divulgação de suas idéias. Além
disto os avanços no serviço postal, permitiram o funcionamento
a nível mundial dos correios. Nos anos 60 esta troca de informações através do meio postal apresenta-se como uma alternativa diante dos questionamentos com relação ao consumo de arte e monopólio dos meios de divulgação vigentes, passando a ser intensamente utilizado e não se restringindo aos artistas americanos, mas envolvendo a Europa Ocidental e Oriental, Canadá e Ameria Latina. Nos anos 70 o termo Arte Postal / Mail Art passa a ser reconhecido. As primeiras manifestações na América do Sul aconteceram em meados dos anos 60. Na Argentina, Eduardo Antônio Vigo editava a revista “Diagonal Cero”, a "Hexágono 70” e posteriormente "Nuestro Libro Internacional de Estampillas y Matasellos", o Uruguaio Clemente Padín a “Los Huevos de Plata” e “Ovum”, o chileno Guilhermo Deisler a “Ediciones Minbre” e o poeta chileno Dámaso Ogaz dirigia na Venezuela a revista “la Pata de Palo”. Estes grandes nomes iniciavam intenso intercâmbio postal através de suas publicações. E em 1970 no Brasil, Pedro Lyra publica um manifesto de Arte Postal. Em 1974, em Montevidéu, acontece a primeira exposição documentada de Arte Postal da América Latina – “Festival de la Postal Creativa”. A partir daí o movimento se dinamiza acontecendo mostras como "Última Exposición Internacional de Arte Postal" realizada por Eduardo Antonio Vigo e Horacio Zabala, em la Plata, 1975, e, no mesmo ano, no Brasil, a "Primeira Exposição Internacional de Arte Postal" organizado por Paulo Brucksy e Ypiranga Filho em Recife, Pernambuco. Durante o período das ditaduras a Arte Postal cumpre o papel de denúncia e explicação da situação internacional. Por conta disto muitos dos seus expoentes foram perseguidos, presos e exilados. A partir dos anos 80 o movimento se revigora com o nascimento de associações e grupos e ainda com a realização de inúmeras exposições em países como o Uruguai, Argentina, Cuba, Brasil e outros mantendo seu caráter de denúncia política e social. Atualmente as mostras ocorrem nos mais distintos países e existem museus dedicados à Arte Postal na Itália e Suécia. Este movimento se caracteriza fundamentalmente pela liberdade de expressão e pelo conceito de comunicação, não se destinando ao consumo (apesar de inúmeras discussões neste sentido). Não há seleção ou jurados. As convocatórias são divulgadas através das redes de artistas e o convocante se compromete a exibir os trabalhos e a fornecer documentação adequada. As exposições podem ser temáticas ou não e a técnica a ser utilizada é livre. É estabelecida uma data para entrega dos trabalhos e em alguns casos as dimensões. Apesar da existência de algumas mostrar organizadas por instituições que definem regras, a Arte Postal ainda é uma forma possível dos artistas se manifestarem com total liberdade sem as amarras impostas pelo mercantilismo ou por tendências artísticas dominantes nos circuitos oficiais. Sugestão de excelente texto sobre arte postal: http://www.escaner.cl/acorreo.html Texto de Clemente Padin
Fontes:
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PROJETO ARTE POSTAL - Lila Botter ARTE POSTAL PROPOSTA - Constança Lucas "EU-ICH-I-IO-JE" - Juliana Oeschger
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